A “escrevivência” como ato de resistência: identidade e memória na obra de Conceição Evaristo
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2026
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Resumo
A literatura brasileira constituiu-se historicamente sob uma perspectiva hegemônica que frequentemente relegou as vozes e a subjetividade das mulheres negras à margem do cânone ou à estereotipação de suas existências. Diante dessa lacuna histórica e pedagógica nos cursos de formação docente, este trabalho investiga de que maneira o conceito de “escrevivência”, proposto por Conceição Evaristo, atua como um instrumento de resistência político-estética e de reconstrução da identidade da mulher negra na literatura contemporânea. Parte-se da hipótese de que a escrita evaristiana rompe com os estigmas coloniais e com a dicotomia entre ficção e realidade, permitindo que a subjetividade feminina negra seja reafirmada como mecanismo de denúncia social, cura ancestral e insubordinação epistêmica. O objetivo geral consiste em analisar a escrevivência como poética de insurgência que desestabiliza a autobiografia tradicional e tensiona a matriz eurocêntrica dos currículos de Letras, promovendo o letramento antirracista. Metodologicamente, trata-se de uma pesquisa qualitativa, de natureza bibliográfica, amparada na hermenêutica literária. O corpus analítico debruça-se sobre a obra “Olhos d'água” (2014), o romance “Ponciá Vicêncio” (2017) e ensaios teóricos da autora, em articulação com o aporte crítico de Nilma Lino Gomes (2017), Bell Hooks (2013), Domício Proença Filho (2004) e Djamila Ribeiro (2019). Como resultados, o estudo demonstra que a escrevivência fratura o pacto autobiográfico individualista ao fundir o “eu” a um “nós” comunitário fundamentado na memória espiralar e na ancestralidade. Constata-se que as estratégias narrativas de Evaristo devolvem a agência e a densidade psicológica às personagens femininas negras, subvertendo arquétipos históricos como o do “escravo nobre” e da “mulata hipersexualizada”. Conclui-se ainda que a inserção sistemática dessa autoria nos currículos universitários configura um ato imperativo de justiça epistêmica e um recurso pedagógico fundamental para a implementação da Lei nº 10.639/2003 na Educação Básica.
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La literatura brasileña se ha constituido históricamente bajo una perspectiva hegemónica que con frecuencia ha relegado las voces y la subjetividad de las mujeres negras al margen del canon o a la estereotipación de sus existencias. Frente a esta laguna histórica y pedagógica en los cursos de formación docente, este trabajo investiga de qué manera el concepto de “escrevivência”, propuesto por Conceição Evaristo, actúa como un instrumento de resistencia político-estética y de reconstrucción de la identidad de la mujer negra en la literatura contemporánea. Se parte de la hipótesis de que la escritura evaristiana rompe con los estigmas coloniales y con la dicotomía entre ficción y realidad, permitiendo que la subjetividad femenina negra sea reafirmada como un mecanismo de denuncia social, curación ancestral e insubordinación epistémica. El objetivo general consiste en analizar la “escrevivência” como una poética de insurgencia que desestabiliza la autobiografía tradicional y tensiona la matriz eurocéntrica de los currículos de Letras, promoviendo la alfabetización antirracista. Metodológicamente, se trata de una investigación cualitativa, de naturaleza bibliográfica, fundamentada en la hermenéutica literaria. El corpus analítico examina la obra “Olhos d'água” (2014), la novela “Ponciá Vicêncio” (2017) y ensayos teóricos de la autora, en articulación con el marco crítico de Nilma Lino Gomes (2017), Bell Hooks (2013), Domício Proença Filho (2004) y Djamila Ribeiro (2019). Como resultados, el estudio demuestra que la “escrevivência” quiebra el pacto autobiográfico individualista al fusionar el "yo" con un "nosotros" comunitario fundamentado en la memoria espiralar y en la ancestralidad. Se constata que las estrategias narrativas de Evaristo devuelven la agencia y la densidad psicológica a los personajes femeninos negros, subvirtiendo arquetipos históricos como el del "esclavo noble" y la "mulata hipersexualizada". Se concluye que la inserción sistemática de esta autoría en los currículos universitarios configura un acto imperativo de justicia epistémica y un recurso pedagógico fundamental para la implementación efectiva de la Ley nº 10.639/2003 en la Educación Básica.
Descrição
Palavras-chave
Escrevivência, Conceição Evaristo, Identidade e memória, Ensino de letras
Citação
SILVA, Flaviano da. A “escrevivência” como ato de resistência: identidade e memória na obra de Conceição Evaristo. 2026. Trabalho de Conclusão de Curso (Licenciatura em Letras com Habilitação em Língua e Literaturas de Língua Portuguesa e Espanhola). Instituto Federal de Roraima, Boa Vista, 2026.